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Viajando com a criançada

BLOG-IIViajar com uma criança não é muito diferente do que criar uma criança – o instinto de sobrevivência, a experiência e o bom senso nos ajudam a tomar as decisões certas. Mas, às vezes, as erradas também.

Está tudo correto com a documentação para embarque, mas você não se ligou que aquela conexão de dez horas deixaria o Pedrinho injuriado (prefira voos diretos ou passe um dia na conexão!). Ou que a Flavinha até suportaria bem o frio, mas o que fazer com ela num destino boreal com cinco horas de sol por dia? Por que levá-los logo a Paris, se eles nunca foram além da praia, a duas horas, e há destinos internacionais como Buenos Aires e Santiago bem do nosso lado?
Ok, eles já foram ao exterior, mas será que estão preparados para o Louvre? Não seria melhor começar pela Disney? E o hotel tem cozinha pra fazer a papinha do Joãozinho? Alugar um apartamento não funcionaria melhor?
Parabéns, você é do tipo precavido e pensou em tudo, tanto que não há cristo que consiga carregar a mala, em que “não falta nada”… A seguir, você descobre muito do que precisa saber para pegar o avião com o Pedrinho, a Flavinha e o Joãozinho, das regras de embarque às recomendações dos pediatras, com um toque de sabedoria popular.

PRÉ-REQUISITOS

Tá liberado?

IDADE MÍNIMA: “Não há idade mínima para a criança viajar. Os pais só precisam avaliar a necessidade dessa viagem e tomar todos os cuidados”, diz o pediatra Sulim Abramovic, do Hospital Infantil Sabará, de São Paulo (SP).

IDADE IDEAL: É melhor evitar viagens com recém-nascidos, que são mais vulneráveis a infecções e outros problemas de saúde. As companhias aéreas, aliás, só transportam bebês com mais de 7 dias de vida (a Avianca, só a partir do 10º dia). No geral, pediatras recomendam esperar até que a criança complete 3 meses, período suficiente para tomar as principais vacinas do calendário, como a BCG (contra tuberculose) e a meningocócica C conjugada (contra meningite e outras infecções). Sempre consulte o pediatra para checar se a criança está em boas condições para viajar.

Documentação

VOOS NACIONAIS: Para viagens nacionais, é preciso apresentar documento de identidade (RG) ou certidão de nascimento original.

VOOS INTERNACIONAIS: Para toda a América do Sul (exceto Suriname e Guianas), o RG original em bom estado e com foto recente também é válido. Para todos os outros países, o passaporte é imprescindível, além do visto (quando exigido). Desde novembro de 2014, os novos passaportes trazem na página de identificação a filiação do portador – para crianças com o documento antigo, é obrigatório levar também a certidão de nascimento ou a carteira de identidade delas, que comprovam o parentesco.

SEM UM DOS PAIS: Também desde novembro, os pais podem incluir uma autorização de viagem no próprio passaporte para que o menor de 18 anos viaje apenas com um dos genitores. Sem esse documento, é necessário registrar uma permissão no cartório a cada viagem ao exterior. Faça em três vias: uma para o aeroporto de origem, outra para o de destino e a última para acompanhar a criança. Em viagens nacionais, crianças de 0 a 12 anos com um dos pais ou um parente de até terceiro grau não precisam de autorização de viagem, só comprovação de parentesco.

PLANEJAMENTO

Até 2 anos

RESERVA: Procure sincronizar o horário do voo com os períodos de sono do bebê. No caso de trajetos longos, prefira os voos noturnos. Para trechos curtos, coordene com a hora da soneca. Avise a companhia que você está viajando com criança pequena e pergunte se é possível reservar assentos nas fileiras dianteiras, mais espaçosas.

PASSAGEM E ASSENTO: É permitido que crianças de até 2 anos viagem no colo, geralmente pagando uma passagem irrisória – segundo norma da Anac, por no máximo 10% da tarifa do adulto. Gol e TAM, entre outras, isentam a tarifa em voos nacionais, mas, nos internacionais, a maioria cobra os 10%. Em viagens longas, porém, fica difícil levar a criança o tempo todo no colo. Para assegurar um bercinho a bordo – desde que ela tenha até 2 anos ou pese até 10 quilos –, faça a reserva por telefone pelo menos 48 horas antes. A maioria das aéreas cobra taxa pelo berço. Uma alternativa é embarcar com um bebê conforto ou cadeirinha, os mesmos usados em carros, desde que certificados pela Aviation Child Safety Device.

EMBARQUE: Passageiros com bebês têm preferência no check-in, nos assentos diferenciados (avise ao marcar o lugar) e no embarque. Fora do Brasil, nem sempre essa prioridade é anunciada – faça valer o seu direito no balcão da companhia.

DECOLAGEM: Para evitar aquele desconforto nos ouvidos causado pela pressão, ofereça o peito, mamadeira ou chupeta quando o avião estiver subindo ou descendo. O movimento que o bebê faz com a boca ajuda a minimizar o mal-estar.

CARRINHO DE BEBÊ: É uma mão na roda mesmo depois que a criança aprendeu a andar, já que serve de berço e suporte para carregar aquela sacola gigante com os itens de sobrevivência, como mamadeiras, trocas de roupa, fraldas, protetor solar e paninhos. É possível despachá-lo no momento do check-in ou, mais inteligente, no próprio portão de embarque. Uma dica é carregar também o sling: ele pode ser usado dentro do avião para acomodar a criança no colo e deixar os braços dos pais livres, além de facilitar bastante o desembarque.

MALA DE MÃO: Prefira mochila em vez de bolsa para ficar com as mãos livres. Não deixe de levar pelo menos duas trocas de roupa, paninhos para a boca, fraldas (considere a duração do voo mais eventuais atrasos), trocador, lenços umedecidos (para mãozinhas meladas), os remédios de praxe, casacos e uma manta para proteger o bebê do ar-condicionado. Além das mamadeiras já prontas com a fórmula (sem a água), leve também pelo menos duas vazias para dar à criança água e sucos do serviço de bordo. Se ele estiver gripado, leve soro fisiológico para compensar o ar seco.

PAPINHA: A tripulação normalmente aquece a mamadeira e a papinha sem problema. Só peça essa gentileza antes do serviço de bordo para não atrapalhar os comissários com os demais passageiros.

TROCA DE FRALDA: São comuns nos aviões os trocadores de tampo, daqueles que abaixam. Como costumam ser pequenos, muitos pais preferem levar os trocadores de casa e estendê-los no banco. Se esse for o seu caso – ou se não houver fraldário na aeronave –, pergunte à comissária onde você pode ficar mais à vontade para trocar o bebê.

DESEMBARQUE: Pais com bebês costumam ser desembarcados por último. Se você estiver em conexão com tempo curto, peça à comissária para priorizar o seu desembarque.

De 3 a 5 anos

GULOSEIMAS: Não conte só com os petiscos que serão servidos no avião. Levar um pacote da bolacha preferida do seu filho, salgadinhos, barrinhas de cereais e frutas secas podem ser de grande valia para acalmar o mau humor infantil. Tudo isso pode entrar no avião, mas só com as embalagens fechadas!

ENTRETENIMENTO: Baixe jogos novos para tablet e videogame, mas não deixe seu filho grudado na tela a viagem inteira. Livros, lápis de cor, jogos de memória, dominó, cartas, tudo isso pode entretê-lo. Só não leve brinquedos barulhentos ou que tenham potencial pra fazer sujeira, como massinhas e gelecas.

MALA DE MÃO: Nessa faixa, a criança começa a se tornar mais independente. Por isso, pode ser que queira carregar a própria sacola. Deixe a troca de roupa, os paninhos e os lenços umedecidos com você, mas arrume uma mochilinha para ela carregar seus brinquedos.

De 6 a 8 anos

BAGAGEM: A criança já pode ajudar a arrumar as malas. Elabore com ela a lista de tudo o que é necessário levar e tiquem juntos os itens à medida que forem separados.

MALA DE MÃO: Trocas de roupa, jogos e comidinhas já podem ir na mochila da criança. Inclua na bagagem livros relacionados ao destino – há vários guias de viagem bacanas para os pequenos, como a coleção Isto É (Cosac Naify), de Miroslav Sasek, com edicões sobre Nova York, Paris e Roma (R$ 45 cada uma).

ROTEIRO: Peça ajuda do seu filho para pesquisar o que há de bacana no destino – passeios, museus e atrações. Vale também encorajá-lo a fazer um diário para registrar a experiência. E que tal deixar uma câmera fotográfica com ele?

PARA ONDE IR

CUIDADOS

O QUE CONSIDERAR: Quando se viaja com bebês e crianças, é preciso cuidado redobrado na alimentação, no tempo de exposição ao sol, no respeito aos horários e às necessidades dos pimpolhos. Imprevistos acontecem; por isso, escolha destinos que não sejam isolados: sem hospital por perto, até brotoeja ou intoxicação alimentar podem adquirir proporções assustadoras.

PRECAUÇÕES: Carregue com você o endereço e o telefone do centro de saúde mais próximo de seu hotel. No exterior, tenha à mão o telefone do seguro de viagem, para ocorrências médicas, e o contato do pediatra do seu filho, que pode sanar dúvidas em uma emergência.

ATÉ 1 ANO

A FASE: O ideal é não alterar a rotina do bebê, que tem horários de mamada definidos e necessita de sonecas. A partir dos 6 meses, com a introdução de outros alimentos na dieta, é imprescindível cercar-se de uma infra para preparar as refeições e esquentar a mamadeira.

DESTINOS: Hotéis-fazenda como o Mazzaropi, em Taubaté (SP), ou o Hotel Estância Barra Bonita, em Barra Bonita (SP), têm excelente infra para bebês e, por isso, estão entre os preferidos dos novos pais.

DE 1 A 2 ANOS

A FASE: A criança já aprendeu a andar e tem muita energia. Dê preferência a espaços abertos, em contato com a natureza. Como os guris dessa idade ainda precisam de sonecas, intercale diversão com horas de descanso ao longo do dia.

DESTINOS: Complexos como a Pousada do Rio Quente, em Goiás, são ótimos tanto pela infra quanto pelas opções de lazer. O hotel inclui na diária acesso ao Hot Park, com toboáguas e playgrounds para todas as idades.

DE 3 A 4 ANOS

A FASE: A criança já não usa fraldas – ufa, menos coisas para carregar! –, tem um vocabulário mais desenvolvido e uma curiosidade tremenda. Hotéis com recreação podem mantê-las ocupadas e em contato com novos amigos.

DESTINOS: O Iberostar Premium, na Praia do Forte (BA), onde está o Projeto Tamar, conta com clube de recreação para crianças a partir de 4 anos, além de serviço de babá, cobrado à parte. Em Aquiraz (CE), o Beach Park encanta as crianças com os cerca de 50 brinquedos molhados do Acqua Circo. Em Foz (PR), as Cataratas do Iguaçu fazem ótima parceria com resorts como o Bourbon, que tem recreação, piscina, minizoo e boliche.

DE 5 A 6 ANOS

A FASE: Crianças nessa idade estão em processo de alfabetização ou acabaram de aprender a ler e escrever. Passeios mais culturais podem ser o foco da viagem.
DESTINOS Em Brumadinho (MG), o Inhotim reúne 22 galerias de arte em um jardim botânico com mais de 5 mil espécies vegetais. Nessa idade, alguns pequenos ainda confundem realidade com fantasia – pode ser a hora de levá-lo à Disney ou de fazer um Cruzeiro Disney.

DE 7 A 8 ANOS

A FASE: Hora de conciliar os interesses da família, já que as crianças começam a deixar claro suas vontades. Metrópoles com muitas opções de lazer podem agradar a todos.

DESTINOS: Nova York tem parques, museus incríveis (as crianças piram no de História Natural), restaurantes de todos os tipos e até pista de patinação no inverno. Paris não fica atrás, com atrações como a Cité des Sciences, do Parque La Villette, um museu de ciências para crianças dos 8 aos 80.
Muito nerd? Que tal a Disney Paris? Barata, Buenos Aires fica perto e tem bons endereços infantis, como o Zoológico, o Parque 3 de Febrero e o Museo de los Niños, uma cidade em miniatura, com supermercado, banco e até McDonald’s de brincadeirinha.